Jardins de Palavras em canteiros de versos a cerca de eiras de prosa. Em 2008, um mês, um livro, desde julho
Terça-feira, 1 de Novembro de 2011
Pintor de gráficos

Sou Pintor de gráficos.

Faço alguns,

com platéia, sempre.

Faço com o giz,

ou caneta de quadro branco,

embora prefiro giz colorido.

 

Pinto também com palavras,

Densas, firmes e claras,

Quando o quadro é claro,

Densas, firmes e obscuras,

Quando o quadro chama às profundezas da vida.

 

Faço junto aos gráficos, desenhos.

Animais cubistas, quase riscos,

Quase nada, senão fosse a palavra.

Este é um pássaro,

Aquele, não, seu predador.

 

E desenho o suave ir e vir da presa,

E o vir e ir, predador.

Prudência ao comer, vida prolongada.

Distúrbios e extinções, vórtices abertos:

Colapso em Y, colapso em X.

 

Pinto com fervor, marco linhas e tendências,

coloro diferenças, marco e faço

para os olhos que, tensos, me seguem.

A mágica do movimento dos números que seguem ao tempo,

gerados pela vida que simulo.

 

O suave avançar, o calmo estabilizar,

Calma linha sigmóide,

esconde dor,

Esconde morte.

 

A vida que exploro em números

é rapidamente colorida para todos.

Com a arte finalizada,

Guarda-pó imundo, olho e admiro.

Cadernos se fecham, alunos se vão.

 

Apago a arte, que sonho ter imprimido na mente de cada
um.



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 01:00
link do post | comentar | favorito

4 comentários:
De Marcelo Ribeiro a 20 de Maio de 2012 às 05:46
Já lí vários poemas blog à fora. Aliás, o primeiro foi por volta de 2004, quando pude ver o um de seus cadernos de "rascunho". Este, no entanto, é o meu poema preferido... como ex-aluno que "assistiu a este poema", posso dizer: "Ufa, não guardei traumas" ;-)


De Sérvio Pontes Ribeiro a 27 de Maio de 2012 às 13:57
Obrigado Marcelo! fico feliz de poder poetizar sem deixar traumas! Grande abraço, e continue, otimamente em linha reta ascendente, mas não esqueça nunca que isto é só um modelo, e viva cada ponto da vida, dispersos por onde estiverem no gráfico do seu tempo.


De Vânia Gomes a 2 de Novembro de 2011 às 11:08
Que aula / arte mais lírica! Parabéns, caro!


De Sérvio Pontes Ribeiro a 2 de Novembro de 2011 às 12:22
Obrigado querida, embora eu ache que os alunos que assistem este poema vão ter mais traumas que emoções estéticas, kkk.


Comentar post

O Poeta e o Biólogo, e o jardineiro
últimas poesias

Mulheres nas Ciências Bio...

49 completos

Poeminha para a Gabi ler ...

Ode à barata latino-ameri...

Despoema

Laura 1.5

HECATOMBE

Feiurinhas de Ana Beatriz

Em tempos de....

Medos trocados

O Maneta

Dias brancos

Diferentes coisas

Caixa de passarinhos

O que foi?

Fragmento de um poema esc...

Poema resposta: a uma lei...

Diálogo com o destruidor ...

A senda, a folga e a vida

Verdade

Mundinho Cão

O amor, a explicação defi...

De boca

Ela, ele

DETOX

Livros e retalhos

Março 2020

Julho 2016

Junho 2016

Janeiro 2016

Agosto 2015

Maio 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Junho 2011

Abril 2011

Fevereiro 2011

Outubro 2010

Agosto 2010

Junho 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

pesquisar
 
links
subscrever feeds