Jardins de Palavras em canteiros de versos a cerca de eiras de prosa. Em 2008, um mês, um livro, desde julho
Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
Um ano, uma morte - Poetas da dor, eu não

 

Esquisito não entendê-los, mas não os entendo.
Não sei ser poeta em tão profunda dor.
Sei escrever meus sentimentos piores,
sei palavrear a tristeza.
Sei chorar letras e letras mundo afora.
 
Mas é na luz, é no sol da alegria,
no brilho de um dia que reluz,
feliz estar vivo, feliz respirar,
que sei o que dizer.
E digo o estar vivo e a tudo amar.
 
Na dor do amor não amado,
do amor dito existir, que nunca foi,
dito verdadeiro, mas severo,
amor exigente, que cobra, que escarna,
na dor destes abusos usurpadores de felicidade,
só sei chorar, sofrer, e definhar. Amor? Não é, não foi.
 
Achou bonito? Achou cheio e vibrante?
Achou algo de belo na minha dor?
Venha sofrê-la você, e não ache bonito o chorar.
Cretino leitor, sem piedade do viver,
sem paixão de verdade, se enche do sofrer corajoso,
burro, sem sentido, e ardido, do poeta, este estúpido.
 
Esqueça, pois não é nada disto que fará teus olhos brilharem,
tuas pupilas dilatarem, e seu rosto, em suspiro e sorriso,
leve, profundo, e definitivo sorriso dia a fora, tua alma feliz.
Feliz é o dia em sol, para um olhar em luz,
amar, é só amar, querer bem, e ser bem, bem verdadeiro,
bem o que der, bem ali, bem perdão, bem, bem, bem.
 
E agora, com o samba de fundo, a lua de cima, o dia passado,
suado, sofrido, cansado. Comida, cozinha, amor no fazer,
e no viver. Agora, no tom, que de leve te lembra,
te acorda, te faz lembrança e te entorna em saudade.
Saudade? É, dela, ela sim, ela amor, paz, mais amor, e mais amor.
 
 Amor sofrido, pelo meu desamor, besta e egoísta, mas mole e frágil.
Agora sem ele, pois frágil, calhorda, carente e besta desamor,
morto na ânsia dos infelizes, dos leitores tortos, dos amores falsos.
 
Agora, sem o gosto tolo e ridículo pelo sofrer poético ou patético,
resta viver, e viver, como o sol, é só a luz de ti, você lua, você sol,
você meu brilho, minha pupila dilatada, meu sangue nas beiradas,
em cada borda, ponta, e canto, em cada vontade e nervo.
 
Eu te acompanho, em sonho, dançando de saia, na ciranda de Lia,
rodando no côco, na dança do sol de meu amor verdadeiro,
e sempre amor. Perdão, graça e ternura, leve, até no esquecer.
Leve no passar daqui para lá, e de lá, para muito além,
além de muito amor, nada além disto.
Viver, amar, pela primeira vez, amar amado, e
embestado,
derreter de felicidade, e te querer em luz, para sempre, em graça.
 
Que nada me falte, e não me falte você, meu amor, pois sem você, vivo sim,
viverei, e muito viverei, mas nada vai ser como é amar você assim.


publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 02:13
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