Jardins de Palavras em canteiros de versos a cerca de eiras de prosa. Em 2008, um mês, um livro, desde julho
Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007
Momento borracho 5 - feliz aniversário!
Hoje nascia um dia, meu pai.
Nasceu, dias e dias atrás.
Tantos que deu 86 anos.
Tanto, que ele nem agüentou vir ver.
 
Papai, morto em dias para frente,
em dois anos para trás.
Tanto para ele escrito,
Tanto lembrado,
Tanto tato tanto ele,
O melhor dele.
O pior,
Curado. Tão fácil curar.
Tão pouco, tão nada, este pior.
 
Do meu pai, saudade, nunca,
Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca
Nunca, nunca
Nunca
Nunca
 
Nunca
 
 
Nunca,
 
 
 
 
Nunca, nunca mesmo,
 
 
 
 
 
 
Vai passar.


publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 23:50
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O choque do azul com o vermelho, no escuro do banheiro

 

Restaurante mexicano.

 

Daqueles para valer,
Como vinho bom de lugar ruim,
que se bebe e não se vende.
 
Ninguém fingia ser mexicano.
Alguns eram. E o lugar, era.
Santos e anjos do barroco espanhol,
Moldados pelo escuro avermelhado
de cada canto.
 
Frida, que é isto!
As cores não são suas,
Afinal!
 
E então se passeia os olhos,
dos sabores e os cantares,
Com cara de restaurante sertanejo.
 
Mergulhado neste canto centro-americano,
derretido em tequila, portunhol, espanhol,
Francês, inglês, português, francesol,
Que se hablen!
 
Mergulhando no óbvio
e belo só existir,
Mais estátuas, casamento
de caveiras! Caveiras já
há mais de 160 anos,
Diz o garçom, ali,
há mais de 50 anos,
ele mesmo.
 
Me vou, só, determinado.
Parto feliz para o choque que me aguarda.
Despreparado, tomado da urgência de
urinar, o súbito e confuso cenário!
 
Pequenos azulejos azuis,
De um azul claro cor
de fusca, até a linha dos
olhos.
De lá, rasgando desavergonhadamente
a parede até o teto,
Rompendo dilasceradamente
A serenidade do momento,
As certezas da alma, impávido...
O vermelho.
 
O mesmo chocante
Vermelho escorrido
Que um dia
Encharquei na velha
Casa que me acolhia,
Fugindo do mundo
Que me enganava
Os olhos e a alma.
 
O vermelho amado,
Fiel, poderoso como
Amigo mais velho,
Como olhar de pai.
O vermelho das verdades
Que as paixões
Trazem à tona, para
Destruir, ou ao menos,
Desmerecer.
 
O choque se deu então.
Poderoso e irreversível,
Os olhos, cheios de cada
mancha, vermelhos de
escuros e claros vermelhos,
sem rosa, só vermelhos,
se afastam.
 
O olhar, o lembrar, se afastam.
A tristeza, com cara
 de cancro que seca e
se esquece, se afasta
também.
  
Derretido e chocado,
como quem vê o
Diabo que um dia
achou só ter imaginado,
Os olhos moles daquilo,
banhados no inferno,
caíram no azul,
piscina,
céu,
criança.
 
Confesso até agora,
Nestas linhas soltas,
ainda nada entendia.
O azul e o vermelho,
Disseram tanto, e ali,
Juntos, no banheiro,
É certo, nunca se falaram.
 
O choque do que eram e foram
eu carreguei,
Sem entender, sem explicar.
E não expliquei,
levei o susto estético que,
a despeito da confusão,
a tudo,
A tudo,
embelezou.
 
Como que se pudesse ver em meio ao
desinteressado mijar,
o susto de dois mundos,
Impossíveis de estarem juntos,
Juntos.
 
E o azul, assim tão
Azul e só, sem a
dubiedade apaixonada
e contraditória.
Sem a dúvida,
a descrença, o azul.
Lindo, simples,
leve e repleto da
inacreditável fé que um pode ter
no que se vê!
 
Pequenos e curtos quadrinhos,
Da mais pura e bela essência
de que na alma,
mora o amor.......
E de que com o amor,
não haverá dor que
Perdure.
 
Hoje, agora, vejo
Fotos que contam
As mesmas cores
Que esta estória
mostra.
Mas, enfim, mergulho
no azul, certo de que
Nunca terei certeza.
Senão,
Apenas a de que
pularei de cabeça no
mais belo lago,
do alto da mais bela
pedra.
 
E no azul da morena
de olhar vívido, de casa
com cacos de mundo,
de filhas repletas de amor
e felicidade,
vou,
para sempre,
nadar.
 


publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 23:43
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Domingo, 16 de Setembro de 2007
Momento Borracho 4 - O poe... O jardineiro e o pintor
Hoje molhei meu quadro,
Pintado com vida e formas,
As plantas que cultivei.
 
Ontem, reguei minha paisagem,
Retirada do dia, belo, azul claro,
Dia de inverno. Já dentro da tela,
O dia lhe enchi, reguei de cores,
Formas e tons. Telhado, rio, chão.
 
Hoje, dorme o poeta, há dias, dorme.
Sua poesia, sufocada, transborda,
Invade telas, jardins, até a ciência,
Fina e reta, se poetiza na beleza de cada ser.
 
Dormindo fica então este espaço, a espera de ser,
Enfim, julgado. Deve ser por isto, dorme o poeta.
Dorme,
Dorme.
 
Não veio ao mundo para isto.
Veio, sim, só para colorir.
Dorme,
Dorme.


publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 13:59
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O Poeta e o Biólogo, e o jardineiro
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