Jardins de Palavras em canteiros de versos a cerca de eiras de prosa. Em 2008, um mês, um livro, desde julho
Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
Madeira
É um daqueles momentos,
Onde é difícil até pensar.
Do que se vê, tira-se
a loucura de custar a acreditar.
 
Um mundo não novo,
Como seria se assim nunca visto,
Mas fantástico, por assim se
apresentar.
 
Paredes retas se vão soberbas
e imperiosas a muitos metros e tal,
Cobertas do verde que lhes sobem às costas,
crianças de uma floresta anciã,
a lançarem um olhar de desdém
ao oceano furioso,
que nada lhes pode.
 
Aqui, do meio do Atlântico,
subiram um dia do fundo mais fundo,
De um cuspir da terra,
sem dó nem respeito, um jorro
que criou chão e chãs.
 
Agora, paredes de lava,
conhecidas pelas
crianças-árvores que carregam.
Madeira do passado,
Florestas de um ontem tão lindo,
Linda inda hoje, reluz de pé em penhascos para além.
 
Das sem fim quedas d ‘água,
reluz o verde contra o azul.
Azul marinho,
tem que ser daqui que saiu esta cor.
Em ondas constantes,
massageia o penhasco,
o azul este tão blue.
 
E então, como que num sonho insano
de homem dos trópicos,
Que acostumou com mar verde
lambendo areia branca,
enfeitada de verdes claros e festivos,
uma praia preta, de pó de lava,
faz preto o mar antes azul.
 
O verde é escuro. O preto também.
O Atlântico soberano em seu quase norte,
Sua quase África,
Seu já não mais, Portugal.
 
Tomada e ardida em fogo,
Pelo homem que quer seu,
tudo que o mundo tem.
Hoje tento ser homem seu,
Sem quereres, sem temeres,
Sem nada senão sabores.
 
Com a gratidão por meramente,
e simples apenas,
ter vivido de ontem para hoje,
reanimo quem sou.
Lembro que à felicidade suprema
basta momentos assim,
Neste mundo, tão grande, e quem dera,
Sem fim.
 
Madeira, 2006.


publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 22:18
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2 comentários:
De Juliana a 27 de Julho de 2007 às 03:31
O poema Amanda e Camila é um mimo, amo este. O de hoje não vou ler agora porque é muito grande e estou exausta. Podemos te mandar o da fala por aqui?


De Sérvio Pontes Ribeiro a 28 de Julho de 2007 às 01:34
Sim Jureba, mande aqui, e fica postado como poema convidado. Beijim diodim!


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